O tempo livre da criança pode ser ativo e compartilhado, sem abrir mão da tecnologia. É a proposta da Robotix, marca brasileira de brinquedos de montar que tem o STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) como base: com hastes, conectores, engrenagens e motores, a criança constrói, testa e conserta um brinquedo que se move de verdade, muitas vezes com pai, mãe ou avô ao lado. A marca, criada em outubro de 2020, está em cerca de 200 lojas de brinquedos em todos os estados do país.
“A Robotix tem como propósito principal resolver a falta de tempo de qualidade e conexão real entre pais e filhos”, afirma Caio Augusto, fundador da marca. A empresa diz que não se posiciona contra a tecnologia, que “faz parte do presente”, mas defende que o brincar físico continue ocupando espaço importante na infância.

Da sala de aula de robótica para a casa das crianças
A Robotix nasceu da educação. Os irmãos Caio e Vinícius cresceram dentro da empresa de robótica educacional dos pais e viram de perto duas dores: a dificuldade de comprar material de robótica de qualidade e o desejo das crianças de levar para casa o projeto que montavam na aula. Em 2020, durante o isolamento da pandemia, os dois desenvolveram um material próprio, fabricado no Brasil. A marca estreou em outubro daquele ano, na véspera do Dia das Crianças, com cinco quiosques em shoppings, e, segundo os fundadores, esgotou o estoque no Dia das Crianças, na Black Friday e no Natal de 2020.
Hoje, a Robotix tem como sócio o grupo Ri Happy, rede varejista de brinquedos, e vive uma fase de expansão da distribuição, com a marca renovada. O segmento educacional segue ativo: a empresa diz estar presente em mais de 100 escolas particulares, por meio de aulas de robótica.
Aprender montando, sem tela
Cada brinquedo vem com manual ilustrado, com a montagem dividida em etapas, e vídeos de apoio à montagem. Durante a construção, a criança observa como as peças se relacionam, testa possibilidades, corrige erros e tenta de novo. Segundo a empresa, isso trabalha raciocínio lógico, coordenação motora fina, concentração, resolução de problemas, criatividade e colaboração.
Como as peças podem ser desmontadas e recombinadas, a brincadeira continua depois que o modelo do manual fica pronto. Os projetos mais complexos também atraem crianças maiores, adolescentes e adultos. O público principal são crianças a partir dos 5 ou 6 anos, e a empresa identifica a Lego como concorrente direta, com uma proposta diferente: na Robotix, a engenharia e o movimento fazem parte visível da brincadeira. A marca tem registro ativo no Inmetro para a sua família de brinquedos.
Entre as famílias que usam a marca, a empresa destaca a de um menino de 7 anos, cujos pais descrevem uma criança com traços de hiperatividade, segundo eles, que, antes, ficava cerca de cinco minutos em cada atividade até perder o interesse. Com a Robotix, segundo a família, ele passou a se concentrar mais e a terminar os projetos que começa, movido pela vontade de ver o brinquedo pronto e ligar o motor. Cada projeto, conta a empresa, tem um convidado especial para a montagem: pai, mãe e até o avô.
“Eu fiquei completamente desacreditada quando vi o menino mais de uma hora brincando, construindo, e a felicidade dele quando terminou de montar o seu dinossauro da Robotix”, relata a mãe.
STEM na prática: o que pesquisas indicam
A base pedagógica declarada pela Robotix é a de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) e a aprendizagem pela prática, compatível com o construcionismo, linha educacional do matemático Seymour Papert, do MIT, segundo a qual a aprendizagem é mais significativa quando a pessoa constrói algo concreto.
Uma revisão sistemática de 2025, na revista EURASIA Journal of Mathematics, Science and Technology Education, analisou 36 estudos e concluiu que a educação STEM/STEAM na primeira infância apoia habilidades cognitivas como resolução de problemas, criatividade e pensamento crítico.
Outro estudo, publicado na Psychological Science em 2015 por Jamie Jirout e Nora Newcombe, com amostra nacionalmente representativa dos Estados Unidos, encontrou associação entre brincar com brinquedos espaciais, como blocos e quebra-cabeças, e o desenvolvimento de habilidades espaciais em crianças.
Sete linhas, de R$ 69,90 a R$ 1.199
A Robotix tem sete linhas, organizadas por tema, e não por faixa de preço ou número de peças: Turbo, Urban, Explore, Creative, Epic, Signature e Go. Os brinquedos custam de R$ 69,90 a R$ 1.199. A linha Go é a porta de entrada: cada produto custa R$ 69,90 e, reunidos, os modelos formam um projeto maior.
A marca lançou recentemente oito produtos: Go Helicóptero, Go Airplane, Go Truck, Guitarra, Garra, Swing Ride Sprint, Ferris Wheel Sprint e Moto de corrida. A próxima grande novidade, prevista para 2027, são montanhas-russas que funcionam de verdade.
Para os próximos 12 meses, a empresa tem como meta chegar a 500 pontos de venda parceiros e abrir 20 novas lojas próprias.
Entrevistas e visitas
Os fundadores Caio e Vinicius estão disponíveis para entrevista presencial e para levar os brinquedos até a redação, para que a jornalista veja a montagem na prática.




