Maior FIFA World Cup 2026 da história deve gerar US$ 11 bilhões em licenciamentos

A próxima Copa do Mundo FIFA 2026, a ser realizada nos EUA, México e Canadá, já está impulsionando uma vasta cadeia econômica, especialmente devido à expansão para 48 seleções. Essa mudança aumenta o mercado de produtos licenciados e a interação dos torcedores, como o consumo de itens colecionáveis e palpites online.

Empresas como a Stake Brasil e especialistas como Camila Farani destacam a importância de as marcas se engajarem com o público antecipadamente, antes da saturação do mercado publicitário, para capitalizar o interesse gerado pelo evento.

No Brasil, o álbum da Copa de 2026 apresenta um recorde de quase mil figurinhas, inserindo-se em um ecossistema complexo de patrocínios e estratégias de licenciamento que transformam o entretenimento esportivo em um negócio altamente lucrativo.

A FIFA projeta um ciclo comercial de US$ 11 bilhões para 2023-2026, com marketing e patrocínios contribuindo com US$ 2,5 bilhões a US$ 3 bilhões, tornando a Copa do Mundo o evento esportivo mais lucrativo. Essa rentabilidade impulsiona um “hiperlicenciamento” de produtos que vão de smartphones (Motorola Edge 70 Fusion – Fifa World Cup 26 Collection) a produtos de higiene pessoal (Rexona com Vini Jr.) e o retorno de montadoras como a Volkswagen ao patrocínio.

A diversificação se estende a jogos de cartas (Panini Adrenalyn XL) e parcerias estratégicas, como a do McDonald’s e Coca-Cola com a Panini para distribuição de figurinhas.

O mercado de brinquedos também lucra, com a Lego lançando coleções e réplicas de troféus de alto valor. No entanto, o colecionismo enfrenta inflação, com o custo de completar o álbum de figurinhas em 2026 subindo 75% em relação a 2022 e podendo comprometer até 62% do salário mínimo, dada a inevitabilidade de figurinhas repetidas.

Um estudo do banco Santander revelou que as figurinhas vendidas no Brasil são historicamente as mais baratas do mundo, custando cerca de US$ 1,43 por pacote, em contraste com países europeus e a América do Norte, onde os preços são significativamente mais altos, como na Suíça, que pode ultrapassar os US$ 2,50 por envelope.

Essa discrepância ocorre apesar da inflação no Brasil, devido a uma estratégia de subsídio nos mercados em desenvolvimento. Paralelamente, o mercado de colecionáveis de futebol passará por uma mudança histórica: a partir de 2031, a Fanatics assumirá a licença exclusiva da FIFA para produzir figurinhas da Copa do Mundo, encerrando uma parceria de seis décadas com a Panini.

Essa transição, que já gera batalhas judiciais por acusações de monopólio, levanta questões sobre o futuro do colecionismo físico e o impacto na tradição afetiva das figurinhas, diante da crescente digitalização e da incerteza sobre a capacidade de engajamento das novas plataformas.

Imagem/fonte: Mkt Esportivo