Dia das Crianças acende alerta financeiro com 35% dos compradores inadimplentes

A vontade de presentear no Dia das Crianças chega acompanhada de um sinal de alerta para o orçamento familiar: 35% dos consumidores que pretendem comprar presentes estão inadimplentes. Dentro desse grupo, 79% já têm o nome negativado em órgãos de proteção ao crédito.

A pressão das crianças também influencia a compra: 35% dos consumidores relatam essa interferência. Apesar das dificuldades financeiras, 83% afirmam que não pretendem deixar as contas básicas em aberto para pagar os presentes.

Os dados são de uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise. O levantamento mostra que o apelo emocional pode ultrapassar os limites financeiros: 22% dos entrevistados reconhecem gastar mais do que podem, enquanto 31% fazem questão de agradar as crianças mesmo que precisem assumir dívidas. Para 24%, o valor do presente representa uma prova de amor.

Um outro levantamento feito pelo Serasa mostra que o número de inadimplentes cresceu 38% na última década, passando de cerca de 59 milhões para 81,7 milhões de pessoas. Esse indicador ajuda a explicar o porquê o consumidor chega a datas comemorativas como o dia das crianças com mais cautela.

“Depois de conviver durante anos com um cenário de endividamento recorrente, as famílias passaram a avaliar com muito mais atenção o impacto de uma nova parcela no orçamento. O crédito deixou de representar apenas uma facilidade e passou a ser encarado como um compromisso que precisa caber na renda ao longo do tempo.”, explica Patrick Santos, doutor em economia e gerente de planejamento da Multimarcas Consórcios.

Varejo projeta R$ 18,11 bilhões em vendas

Nesse cenário, a expectativa é que a data movimente R$ 18,11 bilhões no varejo em 2026. Comparado com o mesmo período do ano anterior, a projeção passou de R$ 16,73 bilhões em 2025 para R$ 18,11 bilhões em 2026, aumento de R$ 1,38 bilhão, ou aproximadamente 8,2%, calculado sobre os valores divulgados pela CNDL/SPC Brasil.

Nas capitais brasileiras, 74% dos consumidores pretendem presentear, com gasto médio previsto de R$ 308.

Roupas, calçados e brinquedos estão entre as principais escolhas. As lojas físicas seguem à frente, mas os canais digitais também atraem os compradores. A pesquisa de preços ganha importância diante da percepção de produtos mais caros: 61% dos entrevistados identificam aumento em relação a 2025.

Para o especialista, o afeto envolvido na celebração precisa vir acompanhado de planejamento, para que a compra não comprometa as finanças nos meses seguintes.